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Meu jantar no Restaurante “Carne Feliz” do Erik

© 2007 Gary L. Francione


©Tradução: Regina Rheda

©Ediciones Ánima- Publicado en: http://www.anima.org.ar


Texto do Blog de Gary L. Francione

26 de fevereiro de 2007



Caros colegas:

Ontem, domingo, 25 de fevereiro, tive um delicioso papo com Erik Marcus do podcast Erik’s Diner [Restaurante do Erik]. Erik defendeu a posição de que as reformas bem-estaristas estão proporcionando uma proteção significativa aos animais e levando à abolição, e eu argumentei que essas reformas são amplamente insignificantes e não fazem nada mais do que deixar as pessoas tranqüilas quanto a continuarem a explorar animais. Eu também argumentei que um movimento abolicionista deve empregar meios abolicionistas para atingir seu objetivo, e que isso significa que devemos investir nosso tempo e nossos recursos na educação vegana/abolicionista criativa e não-violenta, e em pôr a mão na massa cuidando de animais individuais, por exemplo, cães e gatos abandonados. Foi uma discussão animada que durou mais ou menos 2 horas e meia!

Bob Torres do Vegan Freak teve a gentileza de preparar uma versão MP3 da discussão para eu disponibilizar aqui. Vocês podem ouvir o programa inteiro clicando em:

Debate entre Erik Marcus e Gary L. Francione

Espero que gostem.

Vocês vão reparar que uma boa parte da nossa discussão se concentra na campanha, promovida pela Humane Society of the United States (HSUS) junto com outras organizações, para apresentar os ovos de galinhas “livres” de gaiolas de bateria como uma espécie de “vitória”. Eu defendo a posição de que os ovos de galinhas “livres” de gaiolas de bateria não representam nenhuma melhora significativa na qualidade de vida das poedeiras, e apenas desinformam as pessoas, fazendo-as pensar que estão fazendo uma coisa moralmente significativa ao consumirem ovos de galinhas que, em vez de serem torturadas em gaiolas convencionais, são torturadas em galpões sem gaiolas. Erik afirmou que a diferença entre os dois sistemas é análoga à diferença entre Abu Ghraib e um “presídio de segurança mínima”, embora Erik tenha admitido que nunca esteve numa granja sem gaiolas de bateria e seja incapaz de refutar as declarações das pessoas que já estiveram nesses locais e que afirmam que eles são, em tudo e por tudo, tão ruins quanto as granjas de ovos convencionais.

É interessante notar que nem mesmo o diretor da campanha HSUS Farm Animal, Paul Shapiro, parece concordar com Erik Marcus quanto aos ovos de galinhas “livres” de gaiolas de bateria. De um artigo de 2004 no Christian Science Monitor: “Mas ‘livres de gaiolas de bateria’ não significa, necessariamente, muito, em termos de qualidade de vida para as poedeiras. Os ovos que têm o selo ‘galinhas livres de gaiolas’ freqüentemente provêm de galinhas criadas apertadas umas contra as outras em imensos galpões lotados, diz Shapiro”. Claro, isso foi antes de Shapiro ir trabalhar para a HSUS. Agora ele afirma que os ovos de galinhas “livres” de gaiolas de bateria são uma alternativa “socialmente responsável” aos ovos convencionais. Eu discordo tanto do Marcus quanto do Shapiro pós-2004.

Uma história interessante: há alguns anos, quando Shapiro fundou a Compassion Over Killing, ele assistiu a uma palestra que eu dei na cidade de Nova York. Ele foi falar comigo no final e disse que nunca “se venderia” às organizações de abrangência nacional. Ele me criticou por eu ter aceito dar a palestra principal de uma conferência patrocinada por uma organização de abrangência nacional, embora o tema da minha apresentação fosse o movimento de base pelo veganismo abolicionista, e embora ele próprio estivesse nessa conferência. Agora ele trabalha para a HSUS e promove ovos de galinhas “livres” de gaiolas de bateria. Quem sabe um dia nossos caminhos se cruzem e eu tenha a chance de lhe perguntar o que ele teria feito se tivesse “se vendido”.

Enfim, curtam o podcast. Não publicarei outro ensaio na próxima quarta-feira neste blog porque esse programa é meio longo e vocês levarão um certo tempo para ouvi-lo inteiro. Eu também publiquei um texto ontem, sobre uma recente entrevista de Jane Goodall, em que ela fala que não se opõe a toda vivissecção e que o vegetarianismo “não é necessariamente uma opção que todo mundo tem de adotar”.

Entre o podcast do Vegan Freak e meu jantar no Restaurante “Carne Feliz” do Erik , cheguei à conclusão de que eu curto o formato podcast e vou começar meu próprio podcast em breve. Não sou um grande conhecedor de tecnologia, então vou levar um certo tempo para me pôr a par da coisa, mas podem ficar ligados que o podcast será lançado no final da primavera.

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