Início
Textos
A Comissão Européia e a “proibição” das gaiolas de bateria | A Comissão Européia e a “proibição” das gaiolas de bateria |
|
© 2007 Gary L. Francione ©Tradução: Regina Rheda ©Ediciones Ánima- Publicado en: http://www.anima.org.ar Texto do Blog de Gary L. Francione Quarta-feira, 6-2-2008 Em 8 de janeiro de 2008, a Comissão Européia rejeitou apelos para adiar a entrada em vigor da sua diretriz que impõe a “proibição” das gaiolas de bateria convencionais. A diretriz estava (e continua) marcada para vigorar a partir de 2012, depois de ter sido anunciada pela primeira vez em 1999. De acordo com a diretriz, os produtores poderão escolher entre a criação “solta”, a criação “em galpão” (conhecida nos EUA como “livre de gaiolas de bateria”) e o uso de gaiolas “enriquecidas”. Nas gaiolas “enriquecidas”, a quantidade de galinhas é menor, e deve haver um ninho, poleiro e prancha para arranhar, além de material adequado para cama e absorção de excrementos. E, como era de se prever, os bem-estaristas estão excitadíssimos, embora alguns pelo menos tenham tido a ventura de revelar um mínimo de ceticismo. A Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals é uma organização bem-estarista. De fato, a RSPCA patrocina o selo Freedom Food Label, um artificio que engana os consumidores, levando-os a pensar que estão comprando “carne e produtos animais “felizes”. Embora a RSPCA tenha elogiado a decisão da Comissão de não adiar a proibição, ela pelo menos apontou o seguinte:
A RSPCA prefere os sistemas de criação “solta” e “livre de gaiolas de bateria”, que obviamente não podem ser chamados de “humanitários” sem que o sentido deste adjetivo sofra uma grotesca distorção. Um exame da informação sobre tais sistemas, fornecida pelo santuário Peaceful Prairie, incluindo seu chocante vídeo sobre a produção de ovos de galinhas “soltas”, deveria convencer qualquer um a se recusar a promover essas formas alternativas de tortura. Mas nem mesmo a RSPCA aprova as gaiolas “enriquecidas” que a “proibição” da União Européia oferece aos produtores como uma opção. Outra organização bem-estarista britânica, a Compassion in World Farming, elogiou a “proibição” da União Européia, em seu comunicado à imprensa, chamando-a de um “enorme sucesso”. Mas a CIWF já tinha, anteriormente, publicado um compreensivo documento em que esta organização condenava o sistema de gaiolas “enriquecidas” permitido pela “proibição”. Em seu comunicado à imprensa elogiando a “proibição”, contudo, a CIWF nem mencionou as gaiolas de bateria “enriquecidas”. E ovos produzidos em gaiolas de bateria convencionais, em países que não pertençam à União Européia, continuarão podendo ser importados, de qualquer jeito. O que os bem-estaristas norte-americanos estão falando sobre a “proibição”? Embora a People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) afirme, corretamente, que “a melhor coisa que você pode fazer é se tornar vegetariano e parar de comer ovos”, ela descreve a decisão da União Européia como uma “vitória para as galinhas” e alega que “a proibição de 2012 às gaiolas de bateria representa um passo incrível para as poedeiras”. Não há qualquer menção ao fato de que a “proibição” não proíbe gaiolas de bateria “enriquecidas”, as quais são condenadas até por grupos bem-estaristas conservadores. Mas, então: na edição de inverno de 2007 de sua revista Animal Times, a PETA afirmou que sua “estratégia para as corporações” é ajudar os animais, dando como exemplo o fato de a cadeia de supermercados Safeway “ter concordado em promover, junto a seus fornecedores de aves, o abate por atmosfera controlada (CAK), que mata galinhas e perus de maneira rápida e indolor”. (p.3). E a The Humane Society of the United States (HSUS), que transformou o elogio às insignificantes reformas bem-estaristas em uma forma de arte, tem a dizer o seguinte:
Apesar de a HSUS mencionar que as gaiolas “enriquecidas” ainda podem ser usadas, ela inexplicavelmente declara que a diretriz é “um importante passo em direção à proibição total das gaiolas para galinhas poedeiras”. A “proibição” é uma caricatura. Tais regulamentações não fazem nada além de deixar o público mais tranqüilo quanto a explorar animais não-humanos. Trata-se de outra tentativa de fazer o público acreditar que as regulamentações bem-estaristas resultam em melhoras significativas no tratamento dos animais explorados para comida. E essa triste piada não é feita só às custas dos animais; é feita também às custas dos consumidores de produtos de origem animal. A Comissão Européia cita estudos indicando que o custo para os produtores de galinhas em gaiolas “enriquecidas” aumentará menos do que um centavo de euro. Os produtores podem mais do compensar esse insignificante custo, cobrando um valor extra pelos ovos vendidos como “welfare-friendly [amigos do bem-estar]”. A Comissão também recomendou uma campanha para incentivar os consumidores a comprarem esses ovos “felizes”. Então os consumidores vão acabar pagando um preço extra por produtos provenientes de animais torturados. A campanha foi iniciada na década de 1990 por defensores dos animais, que só conseguiram fazer a UE emitir uma diretriz em 1999. A “proibição” não entrará em vigor antes de 2012 e permitirá que os produtores usem sistemas que nem sequer os grupos bem-estaristas conservadores da Europa aprovam. E os sistemas de criação “solta”, “em galpão” ou “livre de gaiolas de bateria” também são horríveis. A “proibição” pode ser totalmente evitada por meio da importação de ovos produzidos em gaiolas de bateria convencionais, em países que não pertencerem à UE. Por fim, embora a UE tenha rejeitado apelos para adiar a “proibição”, ainda resta saber se membros poderosos como a França, a Espanha e a Polônia continuarão se opondo a ela, tornando-se necessário que os bem-estaristas continuem a gastar tempo, dinheiro e outros recursos nessa campanha sem sentido. Se alguém estiver achando que essa campanha fez um bom uso dos recursos do movimento, então eu discordo. Para mim está claro que o tempo, o dinheiro e o trabalho aplicados teriam rendido mais se investidos em uma campanha vegana clara e inequívoca, em vez de ser usados para confundir o público, fazendo-o pensar que ovos “amigos do bem-estar” são tão reais quanto unicórnios. |
| < Anterior | Próximo > |
|---|
MissãoCombater a escravidão animal, divulgar o veganismo e apoiar a ecologia social.* Feito com Software Livre GNU/GPL Joomla ContatoEste endereço de e-mail está sendo protegido de spam, voc precisa de Javascript habilitado para v-loInformações legais |